sexta-feira, 10 de maio de 2013

Falta




É uma dificuldade extrema em abrir o peito pra falar de amor. Quem sabe tenha que ser assim, a forma mais padrão de se encarar o fim. E é por rimas, cabeçalhos, sentimentos, copos e mais copos, olhares e lágrimas, dentes e sorrisos que a visão do desencontro se encontra afastada dum começo prévio de felicidade e produtividade.
Quem sabe o que é ser feliz de verdade? O que a gente precisa pra ser feliz mesmo? Acho que se eu disser que felicidade é genético ou momentâneo eu estarei blefando, não acredito que seja tão pouco a definição pra algo buscado pela maioria dos seres humanos.
Ir atrás, conhecer e reconhecer que é preciso alguém pra por num lugar que não está habitável há anos, é de fato uma convergência, e um resumo de uma paródia, talvez um "dejavú" que acaba aguçando a alma, e acabando com o pensamento e a paz de espírito.
O senso de vida que temos é tão irreal que não ultrapassa nossa tristeza e vida similar à alguém o qual nos importa que vivamos conosco.
Eu acabo me perdendo nas minhas próprias falácias, enquanto tento mentir pra mim que nada mudou, e nada passou. Enquanto tento me esconder por trás de um sorriso sobremaneira relativo ao que eu sinto. É claro que ninguém precisa saber o que tá guardado no baú da minha cabeça. É estranho. É incomum pensar assim depois de tanto tempo, tentando escrever algo que me faça pensar em querer lutar pra tomar conta do lugar que alguém roubou, enquanto não poderia pensar que eu poderia estar nesse lugar. Talvez eu devesse estar nesse lugar. São tantos meses, tanto tempo, tantas palavras e tantas coisas a serem ditas, escritas, faladas e ouvidas, que nem sei se alguém há de se importar. Assumo o papel de errônio enquanto escrevo essas palavras tentando ofuscar o medo de tentar acertar de uma vez.
O caminho nem sempre é seguro, mas transforma a segurança em algo simultâneo o qual eu não me importaria de faltar. Também não é muito agradável, mas a gente tem que abdicar-se de certas coisas para obter coisas maiores. Faz falta um alguém. Faz falta um lugar. Faz falta um livro, um violão, umas risadas e uma cama pra descansar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Aqueles.




Aquela roupa. Aquele perfume. Aquele jeito pseudo-tímido. Aquele sorriso, e aquele olhar por trás de uma distração qualquer. Aquele banco, aquela praça, aquele bosque, aquelas vidas. São tantas coisas pra viver, tantas almas pra encontrar, tantas questão pra colocar, perguntas pra esquecer, dívidas pra pagar, e vem logo você pra mim. Porque?
Aquele dia, aquela hora, aquele lugar. Aquela "guria", aquele "guri", aquele beijo. Aqueles risos, aqueles beijos, aqueles abraços. Alguns versos perdidos por aí, ninguém confiava muito nisso até uns anos atrás. As coisas vão mudando, e vão se permitindo. As portas vão se abrindo, os anéis se colocando, a família se formando.
Os sonhos vão se indo, nem sempre se perdendo, tão pouco acumulando. Só que a vida é isso aí. Nem tudo é como a gente gosta que seja. Mas tudo aconteça na hora certa, as vezes por um erro do destino, de as vezes se importar com a gente numa hora que a gente já não sabe se quer, ou se nem quer mais saber.
Uma coisa é rara hoje em dia, é a sinceridade. E ele assumia a responsabilidade de viver acima disso.
O mal do mundo, é achar que ninguém é tão bom quanto ele. Há sempre um erro grave dentro do mesmo.
Há complicações e decisões pautáveis a serem tomadas. Há sonhos e sonhos perdidos por aí, porque ninguém tomou a frente para ir por trás e trazer a tona. As pessoas se esquecem do que querem, mas ele nunca esqueceu daquele dia, daquela roupa, daqueles olhos, daquele sorriso metálico. Ela não se esqueceu das besteiras, das bobagens, da união desunida.
A barba cresceu, o cabelo também, algo mudou, mas deixou a essência que jamais há de mudar. As coisas sempre tem um jeito raro de brincar com a gente né?! As situações e circunstâncias simplesmente acontecem na hora definida de acontecer e a gente nunca sabe porque.
Aqueles versos mudos, aquele silêncio, aquele grito, aquele gemido ecoando dentro da alma, seria algo chamando. Era. Era a alma dela, o chamando de volta, o chamando a vida.
Dizem que a gente só vive de verdade quando ama não é?! Capaz.
Ele só sabe que hoje já não sabe de mais nada. Que a vida dele não é uma vida comum. A complexidade tomou conta quando ela reapareceu e o fez pensar como seria bom, ele estar de volta num lar, perto daquele lar.
Aquela casa, aquele quarto, aquela cama, poderiam mais representar, mas a vida nunca é fácil. É tão mais fácil se lembrar. Ele só não queria se perder por jamais retornar. Mas ele voltara a viver, voltara a amar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Canção do não.



Por hoje seria só uma brisa noturna esfriando a minha face enquanto minha mente não cansava-se de não se cansar, ao casar-se com teu nome, tumultuando o meu pensar.
Minha noção de realidade se vai, enquanto você fica por aí, sem precisar de mim. Não seria um conto muito perfeito se eu terminasse longe de você. Não seria uma fábula maravilhosa se eu realmente ficasse perto de você? Mas a criatividade me tira os pés do chão enquanto minha alma vagueia cuidadosamente sobre seu semblante, guardado dentro da memória. Memórias que a mente insiste em guardar, pra me fazer chorar, me fazer lembrar, que hoje, a saída não está na cura, e sim nos milhares de pedaços em que você deixou. A gente ama pra sentir, ama pra viver. A gente chega até morrer de amor. Mas a gente morre quando não há mais amor, pra se viver, pra se sentir, pra se amar.
A gente sempre vai sofrer, sofre por querer, porque ninguém obriga a sofrer. Mas a gente sofre por amar a dor da cura. A cura é a alma que vai perseguindo o infinito até achar um rosto conhecido, um canto proibido, um conto escondido, e umas latas pra chutar.
É sombrio o quanto a gente pode chegar. Mas é encarando de frente toda essa dor, essa angústia de pensar, em não rever o seu sorriso, ou aquela velha lágrima carregada de estiramento mútuo de sentimento batido dentro de um copo de tequila. Dance garota, dance pra mandar embora toda a impureza amarga que tem dentro de você, que tem dentro desse ser, que sente que toda manhã vazia, sempre vai lembrar de tentar esquecer quem a mente ousa imaginar que nunca lá vai estar.
Será que você consegue perceber que no final do horizonte não existe o pote de ouro e nem duendes que possam te fazer sorrir, nem por algum instante? Será que é tão duro imaginar essa vida pacata tão distante, almejando algo além do que o imaginável? Será que o cubo mágico de sua alma se atordoou ao resolver-se por si só?
A gente chora pra sorrir, sofre por amar, e ama por querer mudar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ovos quebrados.



Se meu mundo não puder ser meu, de quem será que hei de pertencer? Minha vida, e minhas mudanças são a prova que os roteiros podem ser alterados, e ninguém vai escrever minha história. Quem sabe ela nem é pra ser escrita?! Eu só sei que o rosto que olho no espelho, vou desconhecendo a cada amanhecer. As palavras vagueiam em minha mente, dilacerando minha alma, enquanto componho mais um verso de uma canção qualquer.
Sorrisos e olhares surpreendem mais do que meras sílabas, fazendo junções com outras sílabas e elaborando um discurso consequente de valores e não de sentimentos. Do que adianta eu usar meus princípios para quem não valoriza o pudor de ser quem é e não quem deve ser?! Pra que gastar saliva e fazer dourar as feridas, enquanto eu posso simplesmente abandonar o cais e navegar em meio a escuridão dos valores eternos sem conceitos pre-meditados, deixando minha vida em território nulo, de ninguém, sem precisar de um alguém que vai chegar, sem saber onde ancorar.
Minha vida não é um porto, não é um cais, não é isso. Eu sou como um barco que roteia o mar, em busca de naufrágeo. Sim, eu vou em busca do pior, pra quando este acontecer, eu não sofrer desilusões num mar ilusório da solidão.
Eu sonhei que uma vez eu era engolido por uma paz singular. Sonhei neste sonho, que essa paz se findava por quem eu era, por quem eu mostrei ser, e não por eu tentar ser algo ou alguém que não sou.
A confusão mental, e dinâmica da vida, é essa: a gente nunca sabe da onde veio e pra onde vai, mas a gente sempre sabe que tá indo sem saber onde chegar. E se chegou, a gente só percebe quando parte de novo. E se partiu sem perceber, é porque não era pra ter chegado onde estavas ancorado.
A vida é muito mais que o infinito. A decisão de escolha é algo irrecuperável. Eu não posso transpassar algo sem força, e essa força só depende de mim.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Meu som.

Matheus H. Neves Galera pra quem ainda não conhece meu trabalho como musico, pode olhar aí! Se possível, sigam-me, favoritem-me, e façam download das musicas, que isso é expressamente importante. Obrigado.

domingo, 18 de novembro de 2012

Sonho



Um dia eu sonhei que a cama já não era de colchão. Um dia sonhei estar perdido na imensidão do universo enquanto voava, e mergulhava num céu feito de refrigerante. Um dia sonhei estar num lugar onde tudo era engraçado, e despreocupado. Nesse mesmo sonho, sonhei que a vida parecia tão mais simples, tão mais fácil.
Sonhei que havia sim, um lugar onde éramos felizes sem precisar pintar um sorriso igual a de todos antes de sair de casa. Sonhando um sonho sonhado, o sonhador se transforma num ator, num atuador, em alguém que realmente vive a ficção psicótica que tem entre o abismo de insanidade com o que a gente pode chamar de "bem" enquanto lê-se na ata médica, que pode-se receber alta.
Sonhei que o céu era bem melhor que o chão. A sua infinidade se findava ao encontrar-se ao solo, talvez dentro de um furacão de sentimentos, talvez em sentimentos expressivos demais pra serem reais.
Sonhar que é verdade, toda aquela mentira, sabendo que toda a verdade se tornará mais que uma simples história corrompida por intuições finitas de sanidade insana, acabando por acabar com toda a alegria que eu sonhara ter à algum dia.
Quis por tempos mudar, deixar a errância ao lado e seguir de volta ao lar. Estou ferido, vazio e sem casa pra voltar, talvez estou desfrutando a solidão. É por isso que eu digo que não sei lidar.
Eu sonhei que um dia eu tinha um lar. Que nessa casa, tinha tudo que existe de bom, principalmente pessoas boas. Não havia religião, não havia brigas, não havia palavrões, não havia contendas, fofocas, e por um momento percebi, que não tinha mais ninguém na casa, apenas eu.
Todas as mentiras mal contadas, se transformaram em verdades. A verdade vem à tona, mesmo sem a gente perceber que ela chegou. Mas quando chega, é pra ficar, como a solidão dentro do seu lar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A passagem



Tinha uma casa. Tinha uma fazenda. Tinha um lar dentro dessa fazenda. Havia uma trilha, e várias árvores em volta este caminho barroso. Havia duas crianças, e vários senhores de idade que cuidavam dessas crianças como se fosse seus.
Adolescentes agora, conhecendo seus corpos, seus sentimentos, suas dores reais. Começaram a se entrelinhar. Começaram a se encontrar. E acabaram por se amar.
Foi uma dor pagã, no final quando ele teve que ir. Ela ficou por causa de sua doença. Ele apenas abriu a porta e saiu, numa facilidade. Já não parecia amor, ao despedir.
Ela se escondeu pra não ser mais achada, ele mudou-se para não ser mais procurado. Mas dizem sempre que o destino nos traz tudo que a gente menos espera. Ele não esperava mais.
Ele se esqueceu de lembrar tudo aquilo que ele quis esquecer. Ela se lembrou de esquecer que tinha de lembrar tudo o que teria de ter esquecido.
Ele não teve opção, ela teve percepção. Ele esquivou-se de ser quem um dia já foi. Ela apenas queria que ele fosse dela outra vez.
A mentira tomou conta de dois seres que já não queriam ser mais quem tinham de ser, um para com o outro.
Ele já não sabia quem era quando teve de voltar. Ela só sabia que nada saberia se um dia soubesse que iria saber que ele poderia voltar.
É uma combinação perfeita: madrugada, frio, dois corpos (em sintonia).
A porta se reabriu, mas não teve duas chances. Ela já não poderia mais mover o dedo para encostar em seu rosto, com a barba por fazer. Os detalhes que ficaram junto a cama, ficaram lá pra sempre.
A caixa de fotos ficou embaixo da cama dela. Os últimos 3 anos, ficou intocável. Ela teria apenas ido embora, para não ter que vê-lo chegar. Ele voltou para poder se adentrar na vida de um ser como o dela. Acabou.
Um acidente aconteceu. Dois veículos se esbarraram. E não, não era ela, que tinha batido nele. Era o senhor Lúcio, que teria cuidado dos dois quando pequenos.
Eles se viram de novo. Ele foi embora, ela não o reconheceu. Nenhuma palavra foi dita. Apenas uma carta deixada em cima da mesa do bar.
A vida não dá chances pra ninguém. Eles criaram o quanto puderam. Criaria vós a sua deveras chance.