
Hoje comecei o dia observando como as coisas acontecem ao meu redor. Observei a rotina que levo, os passos que dou nos lugares que vou, as pessoas que passam ao meu lado, os fatos que acontecem do outro lado da calçada e eu apenas olhando e tentando retirar algum detalhe. Ando fazendo isso muitas vezes desde que te conheci. Olho tudo, penso e olho de novo e nada, nada mesmo parece ter sentido.
Semanas atrás vi um garotinho de 5 anos no shopping perdido, fiquei observando sua reação de medo e gritando por sua mãe várias e várias vezes sem resposta, até que um mais velho chega e o ajuda levando até o balcão de informações. Passam-se alguns minutos e ouço pelos alto falantes que ele estava lá a espera de sua mãe. Então corri até lá para ver o que havia de acontecer e vi uma senhora chegar desesperada a abraçar o garotinho. Seria a mãe dele talvez, ou apenas algum parente, pois tudo o que aquele garotinho dizia após ver aquela senhora era que queria tomar um sorvete. Então comecei a imaginar, como seria a vida daquele garotinho, será que ele nasceu de um acidente ou foi adotado? Será que os pais ainda moram juntos? Será que é feliz? E se um dia quando crescer, irá lembrar que se perdeu no shopping? São perguntas sem sentido nenhum para mim, até que não tenho nada a ver com a vida dele e nem o conheço. Mas é o que costumo fazer com a sua ausência. Observar, reparar os detalhes e escrever.
Escrever pra mim é um remédio para todos os pensamentos e perguntas sem resposta que tenho, é a calma que ninguém pode me dar, sou eu em letras, pontos e parágrafos. Escrever é a cura da minha loucura. E pra mim nem isso faz sentido, as vezes escrevo sobre amor, sobre tristezas, solidão ou até conto fatos que já aconteceram comigo. Mas pra quê? Se o papel fica velho, o grafite some, e tudo vira pó.
Poderia falar das cartas salvas que tenho em meu computador, mas relendo-as vejo que são inúteis, pois são sentimentos passados e páginas de um livro velho que ninguém mais gosta de ler. Escrever virou um ato frio e chulo nesse mundo onde as pessoas valorizam mais um objeto folheado a ouro, do que um simples eu te amo debaixo de uma chuva.
Mas além disso tudo, eu não paro. Continuo a te escrever, escrevo sempre que posso, pois escrever pra você é a única coisa que eu posso continuar fazendo para deixar minha marca em ti.
Você escreve, eu escrevo. Assim eu te conheço, você me conhece. E nas nossas rimas nos juntamos, em cada linha nos apaixonamos, e por fim nunca paramos de amar esse tal ato que é escrever.
Seja por você, ou por qualquer outra coisa.
Aquela que gosta de fazer textos sem nenhum sentido, Mariana Chaves.