quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Escrever, ver.


Hoje comecei o dia observando como as coisas acontecem ao meu redor. Observei a rotina que levo, os passos que dou nos lugares que vou, as pessoas que passam ao meu lado, os fatos que acontecem do outro lado da calçada e eu apenas olhando e tentando retirar algum detalhe. Ando fazendo isso muitas vezes desde que te conheci. Olho tudo, penso e olho de novo e nada, nada mesmo parece ter sentido. 

Semanas atrás vi um garotinho de 5 anos no shopping perdido, fiquei observando sua reação de medo e gritando por sua mãe várias e várias vezes sem resposta, até que um mais velho chega e o ajuda levando até o balcão de informações. Passam-se alguns minutos e ouço pelos alto falantes que ele estava lá a espera de sua mãe. Então corri até lá para ver o que havia de acontecer e vi uma senhora chegar desesperada a abraçar o garotinho. Seria a mãe dele talvez, ou apenas algum parente, pois tudo o que aquele garotinho dizia após ver aquela senhora era que queria tomar um sorvete. Então comecei a imaginar, como seria a vida daquele garotinho, será que ele nasceu de um acidente ou foi adotado? Será que os pais ainda moram juntos? Será que é feliz? E se um dia quando crescer, irá lembrar que se perdeu no shopping? São perguntas sem sentido nenhum para mim, até que não tenho nada a ver com a vida dele e nem o conheço. Mas é o que costumo fazer com a sua ausência. Observar, reparar os detalhes e escrever. 
Escrever pra mim é um remédio para todos os pensamentos e perguntas sem resposta que tenho, é a calma que ninguém pode me dar, sou eu em letras, pontos e parágrafos. Escrever é a cura da minha loucura. E pra mim nem isso faz sentido, as vezes escrevo sobre amor, sobre tristezas, solidão ou até conto fatos que já aconteceram comigo. Mas pra quê? Se o papel fica velho, o grafite some, e tudo vira pó. 
Poderia falar das cartas salvas que tenho em meu computador, mas relendo-as vejo que são inúteis, pois são sentimentos passados e páginas de um livro velho que ninguém mais gosta de ler. Escrever virou um ato frio e chulo nesse mundo onde as pessoas valorizam mais um objeto folheado a ouro, do que um simples eu te amo debaixo de uma chuva. 
Mas além disso tudo, eu não paro. Continuo a te escrever, escrevo sempre que posso, pois escrever pra você é a única coisa que eu posso continuar fazendo para deixar minha marca em ti. 
Você escreve, eu escrevo. Assim eu te conheço, você me conhece. E nas nossas rimas nos juntamos, em cada linha nos apaixonamos, e por fim nunca paramos de amar esse tal ato que é escrever.

Seja por você, ou por qualquer outra coisa.

Aquela que gosta de fazer textos sem nenhum sentido, Mariana Chaves.



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ao vento.



E se der pra ficar, tem que ficar! Tantos rios, e águas, que deságuam no mesmo mar. Tantas fontes de vida, tantas uniões, tantos amores, tantos perdidos, tantos achados, tanta procura, tanta desordem, tanta imaginação, tanta falsa moralidade, tanta coisa... Ah! É no meio da confusão que a gente se funde, e sabe qual é nosso verdadeiro "eu".
Tantas palavras, tantos versos, tantas histórias pra contar, e será que poderia ser eu a dizer que tenho algo bom a ser dito? Será que a minha vida é maior do que a própria procrastinação acerca da minha ida?
Será que esses copos vazios, com cheiro de álcool barato, não irão nunca sair da minha vista? Será que eu posso ficar bem, sem saber o sabor do mal?
Tantas questões, e consoante a isso, vem as maldições. É isso mesmo. Não adianta correr, tentar mudar, tentar viver, e amar, se você não aprender a sofrer, e se amargurar na própria dor e companhia da solidão. As vezes ela te abraça com tanto amor, que seria ela a única companheira. Quem sabe eu ainda sou um guri tão moço, que chego a ser um velho chato, e rabugento.
A vida não dá tréguas, não me deixa ir em paz. Custa ouvir todas essas vozes na minha cabeça, pedindo mais de mim, sem saber de onde posso tirar. É menos com mais, e é mais com menos. Não, não é matemática. É apenas uma conta feita por nós, que somos diferentes. Não queria ser notado por esses pontos evidentes de alguém que tem problema em acreditar que a vida pode passar e a gente ficar, mas existe um lado ereditário em todas as histórias... Nunca contam isso, nunca nos dizem a verdade, mas é isso mesmo, o final feliz não é tão final assim. A gente precisa soar pra sermos quem somos. Evidente que o mundo não facilitaria tamanha expressão, sendo ele imenso e você, um ponto pseudo-nulo.
Quem seria eu, senão eu? Talvez meu eu necessite de um outro eu, o qual eu não possa alcançar por causa dessa deveras distância de mim mesmo. Encontro-me perdido e achado dentro do meu ser, minha alma perambula pelo universo, sem qualquer limite e pretenção. Queria fugir, sair por aí. Mudar de nome, de vida. Ir pra Austrália, falar meu inglês barato, e me chamar apenas "John", apenas mais um nesse universo interessante.
Será que a dádiva final é o amor? Não sei, não acredito em fadas.