terça-feira, 27 de novembro de 2012

Meu som.

Matheus H. Neves Galera pra quem ainda não conhece meu trabalho como musico, pode olhar aí! Se possível, sigam-me, favoritem-me, e façam download das musicas, que isso é expressamente importante. Obrigado.

domingo, 18 de novembro de 2012

Sonho



Um dia eu sonhei que a cama já não era de colchão. Um dia sonhei estar perdido na imensidão do universo enquanto voava, e mergulhava num céu feito de refrigerante. Um dia sonhei estar num lugar onde tudo era engraçado, e despreocupado. Nesse mesmo sonho, sonhei que a vida parecia tão mais simples, tão mais fácil.
Sonhei que havia sim, um lugar onde éramos felizes sem precisar pintar um sorriso igual a de todos antes de sair de casa. Sonhando um sonho sonhado, o sonhador se transforma num ator, num atuador, em alguém que realmente vive a ficção psicótica que tem entre o abismo de insanidade com o que a gente pode chamar de "bem" enquanto lê-se na ata médica, que pode-se receber alta.
Sonhei que o céu era bem melhor que o chão. A sua infinidade se findava ao encontrar-se ao solo, talvez dentro de um furacão de sentimentos, talvez em sentimentos expressivos demais pra serem reais.
Sonhar que é verdade, toda aquela mentira, sabendo que toda a verdade se tornará mais que uma simples história corrompida por intuições finitas de sanidade insana, acabando por acabar com toda a alegria que eu sonhara ter à algum dia.
Quis por tempos mudar, deixar a errância ao lado e seguir de volta ao lar. Estou ferido, vazio e sem casa pra voltar, talvez estou desfrutando a solidão. É por isso que eu digo que não sei lidar.
Eu sonhei que um dia eu tinha um lar. Que nessa casa, tinha tudo que existe de bom, principalmente pessoas boas. Não havia religião, não havia brigas, não havia palavrões, não havia contendas, fofocas, e por um momento percebi, que não tinha mais ninguém na casa, apenas eu.
Todas as mentiras mal contadas, se transformaram em verdades. A verdade vem à tona, mesmo sem a gente perceber que ela chegou. Mas quando chega, é pra ficar, como a solidão dentro do seu lar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A passagem



Tinha uma casa. Tinha uma fazenda. Tinha um lar dentro dessa fazenda. Havia uma trilha, e várias árvores em volta este caminho barroso. Havia duas crianças, e vários senhores de idade que cuidavam dessas crianças como se fosse seus.
Adolescentes agora, conhecendo seus corpos, seus sentimentos, suas dores reais. Começaram a se entrelinhar. Começaram a se encontrar. E acabaram por se amar.
Foi uma dor pagã, no final quando ele teve que ir. Ela ficou por causa de sua doença. Ele apenas abriu a porta e saiu, numa facilidade. Já não parecia amor, ao despedir.
Ela se escondeu pra não ser mais achada, ele mudou-se para não ser mais procurado. Mas dizem sempre que o destino nos traz tudo que a gente menos espera. Ele não esperava mais.
Ele se esqueceu de lembrar tudo aquilo que ele quis esquecer. Ela se lembrou de esquecer que tinha de lembrar tudo o que teria de ter esquecido.
Ele não teve opção, ela teve percepção. Ele esquivou-se de ser quem um dia já foi. Ela apenas queria que ele fosse dela outra vez.
A mentira tomou conta de dois seres que já não queriam ser mais quem tinham de ser, um para com o outro.
Ele já não sabia quem era quando teve de voltar. Ela só sabia que nada saberia se um dia soubesse que iria saber que ele poderia voltar.
É uma combinação perfeita: madrugada, frio, dois corpos (em sintonia).
A porta se reabriu, mas não teve duas chances. Ela já não poderia mais mover o dedo para encostar em seu rosto, com a barba por fazer. Os detalhes que ficaram junto a cama, ficaram lá pra sempre.
A caixa de fotos ficou embaixo da cama dela. Os últimos 3 anos, ficou intocável. Ela teria apenas ido embora, para não ter que vê-lo chegar. Ele voltou para poder se adentrar na vida de um ser como o dela. Acabou.
Um acidente aconteceu. Dois veículos se esbarraram. E não, não era ela, que tinha batido nele. Era o senhor Lúcio, que teria cuidado dos dois quando pequenos.
Eles se viram de novo. Ele foi embora, ela não o reconheceu. Nenhuma palavra foi dita. Apenas uma carta deixada em cima da mesa do bar.
A vida não dá chances pra ninguém. Eles criaram o quanto puderam. Criaria vós a sua deveras chance.