Se meu mundo não puder ser meu, de quem será que hei de pertencer? Minha vida, e minhas mudanças são a prova que os roteiros podem ser alterados, e ninguém vai escrever minha história. Quem sabe ela nem é pra ser escrita?! Eu só sei que o rosto que olho no espelho, vou desconhecendo a cada amanhecer. As palavras vagueiam em minha mente, dilacerando minha alma, enquanto componho mais um verso de uma canção qualquer.
Sorrisos e olhares surpreendem mais do que meras sílabas, fazendo junções com outras sílabas e elaborando um discurso consequente de valores e não de sentimentos. Do que adianta eu usar meus princípios para quem não valoriza o pudor de ser quem é e não quem deve ser?! Pra que gastar saliva e fazer dourar as feridas, enquanto eu posso simplesmente abandonar o cais e navegar em meio a escuridão dos valores eternos sem conceitos pre-meditados, deixando minha vida em território nulo, de ninguém, sem precisar de um alguém que vai chegar, sem saber onde ancorar.
Minha vida não é um porto, não é um cais, não é isso. Eu sou como um barco que roteia o mar, em busca de naufrágeo. Sim, eu vou em busca do pior, pra quando este acontecer, eu não sofrer desilusões num mar ilusório da solidão.
Eu sonhei que uma vez eu era engolido por uma paz singular. Sonhei neste sonho, que essa paz se findava por quem eu era, por quem eu mostrei ser, e não por eu tentar ser algo ou alguém que não sou.
A confusão mental, e dinâmica da vida, é essa: a gente nunca sabe da onde veio e pra onde vai, mas a gente sempre sabe que tá indo sem saber onde chegar. E se chegou, a gente só percebe quando parte de novo. E se partiu sem perceber, é porque não era pra ter chegado onde estavas ancorado.
A vida é muito mais que o infinito. A decisão de escolha é algo irrecuperável. Eu não posso transpassar algo sem força, e essa força só depende de mim.
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