domingo, 18 de novembro de 2012

Sonho



Um dia eu sonhei que a cama já não era de colchão. Um dia sonhei estar perdido na imensidão do universo enquanto voava, e mergulhava num céu feito de refrigerante. Um dia sonhei estar num lugar onde tudo era engraçado, e despreocupado. Nesse mesmo sonho, sonhei que a vida parecia tão mais simples, tão mais fácil.
Sonhei que havia sim, um lugar onde éramos felizes sem precisar pintar um sorriso igual a de todos antes de sair de casa. Sonhando um sonho sonhado, o sonhador se transforma num ator, num atuador, em alguém que realmente vive a ficção psicótica que tem entre o abismo de insanidade com o que a gente pode chamar de "bem" enquanto lê-se na ata médica, que pode-se receber alta.
Sonhei que o céu era bem melhor que o chão. A sua infinidade se findava ao encontrar-se ao solo, talvez dentro de um furacão de sentimentos, talvez em sentimentos expressivos demais pra serem reais.
Sonhar que é verdade, toda aquela mentira, sabendo que toda a verdade se tornará mais que uma simples história corrompida por intuições finitas de sanidade insana, acabando por acabar com toda a alegria que eu sonhara ter à algum dia.
Quis por tempos mudar, deixar a errância ao lado e seguir de volta ao lar. Estou ferido, vazio e sem casa pra voltar, talvez estou desfrutando a solidão. É por isso que eu digo que não sei lidar.
Eu sonhei que um dia eu tinha um lar. Que nessa casa, tinha tudo que existe de bom, principalmente pessoas boas. Não havia religião, não havia brigas, não havia palavrões, não havia contendas, fofocas, e por um momento percebi, que não tinha mais ninguém na casa, apenas eu.
Todas as mentiras mal contadas, se transformaram em verdades. A verdade vem à tona, mesmo sem a gente perceber que ela chegou. Mas quando chega, é pra ficar, como a solidão dentro do seu lar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A passagem



Tinha uma casa. Tinha uma fazenda. Tinha um lar dentro dessa fazenda. Havia uma trilha, e várias árvores em volta este caminho barroso. Havia duas crianças, e vários senhores de idade que cuidavam dessas crianças como se fosse seus.
Adolescentes agora, conhecendo seus corpos, seus sentimentos, suas dores reais. Começaram a se entrelinhar. Começaram a se encontrar. E acabaram por se amar.
Foi uma dor pagã, no final quando ele teve que ir. Ela ficou por causa de sua doença. Ele apenas abriu a porta e saiu, numa facilidade. Já não parecia amor, ao despedir.
Ela se escondeu pra não ser mais achada, ele mudou-se para não ser mais procurado. Mas dizem sempre que o destino nos traz tudo que a gente menos espera. Ele não esperava mais.
Ele se esqueceu de lembrar tudo aquilo que ele quis esquecer. Ela se lembrou de esquecer que tinha de lembrar tudo o que teria de ter esquecido.
Ele não teve opção, ela teve percepção. Ele esquivou-se de ser quem um dia já foi. Ela apenas queria que ele fosse dela outra vez.
A mentira tomou conta de dois seres que já não queriam ser mais quem tinham de ser, um para com o outro.
Ele já não sabia quem era quando teve de voltar. Ela só sabia que nada saberia se um dia soubesse que iria saber que ele poderia voltar.
É uma combinação perfeita: madrugada, frio, dois corpos (em sintonia).
A porta se reabriu, mas não teve duas chances. Ela já não poderia mais mover o dedo para encostar em seu rosto, com a barba por fazer. Os detalhes que ficaram junto a cama, ficaram lá pra sempre.
A caixa de fotos ficou embaixo da cama dela. Os últimos 3 anos, ficou intocável. Ela teria apenas ido embora, para não ter que vê-lo chegar. Ele voltou para poder se adentrar na vida de um ser como o dela. Acabou.
Um acidente aconteceu. Dois veículos se esbarraram. E não, não era ela, que tinha batido nele. Era o senhor Lúcio, que teria cuidado dos dois quando pequenos.
Eles se viram de novo. Ele foi embora, ela não o reconheceu. Nenhuma palavra foi dita. Apenas uma carta deixada em cima da mesa do bar.
A vida não dá chances pra ninguém. Eles criaram o quanto puderam. Criaria vós a sua deveras chance.

sábado, 27 de outubro de 2012

Inconstancia

 

É uma procrastinação eternizada e maratonizada por nós seres humanos. A vida se contempla finitamente nisto. Eu suponho e até descrevo como "viver é apenas um costume que a gente tem". Não quero que ninguém morra. Obrigado.
É muito mais errado do que certo. Você é sempre observado por quem geralmente nunca deu apoio nenhum em sua vida. Você sempre será testado por gente que nunca viveu aquilo que viveste. Você sempre será errado e sempre serás abduzido por si mesmo, mediante aquilo que pensas. Não existe bem ou mal, quando estamos sozinhos. É apenas nós, e só isso.
Não há resultados em buscas infinitas. Não há derrota pra batalhas não concluídas. As vezes eu me vejo numa facilitade sublime de escrever coisas que possam alertar as pessoas, mas até hoje eu não achei a saída pra mim mesmo.
Estou tão perdido quanto você.
Uma fórmula de me endoidecer cairia muito bem. Já não sei se a insanidade faz parte da minha vida retundante. Ou se minha loucura faz parte de uma sanidade insana, capaz de alimentar horrores e temores dentro de um ser inconsequênte, constrangido com o que há de ocorrer por aí. Consequências ainda são reais?! Deve ser mesmo.
Onde está os super-heróis quando a gente precisa? Quem sabe não há ninguém que possa nos salvar. Quem sabe a fé está cega demais pra ser real. Quem sabe o mundo acabou e a gente nem percebeu. Quem sabe só restamos nós, e quem se foi, já desistiu.
Agora vou voltando pro meu copo. Agora, vou vendo quem eu sou. A imagem no espelho já não mostra nada, do que realmente já ficou.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Respiração




Já parou pra pensar que nem sempre o céu é o limite? E as estrelas, será que a gente um dia vai conseguir segura-las?! E eu sinto como se nunca tivesse nada acontecido, ao mesmo tempo, como se o céu desmoronasse sobre mim.
Eu só queria ser como pessoas comuns. Ter vida comum, ser um pouquinho mais comum. Perderia a graça, sim, claro, mas onde está minha graça agora? Percebo que cada noite faz mais frio, do lado esquerdo da minha cama. Que cada dia o sol esquenta-me menos, pela falta de sentir sua força nas horas que posso acordar. Sinto como se o pra sempre já tivesse ido ao fim, e de lá, não saído.
As vezes por tanto sentir eu nem sei se sinto nada. Se nada puder sentir, será que eu sentirei que já não posso sentir nada? O nada parece um tudo que nunca acaba, por ser algo inacabado, o nada se tornou tudo outra vez. E esse tudo ou nada, acaba por ser tudo que tenho. Tudo que tenho é nada.
Será que mais uma vez posso me purificar de meus pensamentos longínquos e acabar por parar de sonhar e viver uma vida mais viva? Esquecer que o distante já não está tão longe, que o próximo se encontra mais finito, e sorrateiro.
Espero que o fim seja uma certeza. Acho que isso é verdade, o fim é uma certeza. Uma certeza que tudo há de acabar e não importando onde vamos ficar, porque é só nós mesmos que vamos restar. Acreditando ou não, a solidão nem é um castigo, chega a ser um brinde, um prêmio, já que não tem nada, leva a solidão pra ficar com você nessa madrugada tão fria.
Tentar esquecer só vai ajudar a lembrar aquilo que jamais se esqueceu.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pregos



O que mais posso ter além de mim mesmo? Que mais posso ser além de quem sou? Quem mais pode ser meu além de eu mesmo? O que mais posso ter além do que eu sou?
É frio, é triste, manifestador esse sentimento. Amargura, solidão, frieza, quebra coração. Pra onde irei me refugiar se nem paz há no meu lar? Pra onde hei de ir, se já nem sei com quem eu estou e quem poderei eu de contar.
É triste, é vazio, é supérfluo, sem tranquilidade, sem atenção, sem alguém pra estender a mão. Rimar pareceu tão fácil, tão afetuoso, tão majestoso, quando nada se há pra se apoiar. Escrever textos é uma saída? Talvez hei eu de me achar.
Eu não sei se sou capaz de aguentar por muito tempo, os olhos já se incharam e nem há mais alegria no olhar. Falamos aqui tanto do passado e futuro, mas que presente ruim é este que estou a ter!
Longanimidade é precaução de um ser com intuito de ser quem passou a não ser para ser alguém que restou ser.
Umas brincadeiras com as palavras pode até acabar bem. As frases se completam quando a gente olha e percebe que o rascunho tem mais valor do que o projeto concluído.
Quem somos nós afinal de contas? Quem você pode ser pra você? Eu acho engraçado como hipocrisia reina até num reino por fora de hipócritas. Pessoas que são e aqueles que não são. Não há força nem presunção num lugar hoje não há felicidade e respeito.
Atear fogo hoje é mais cortar os pulsos. Faz mais sentido.
Onde é que eu deveria estar? Perdido sem poder me achar, talvez eu esteja assim, esteja aqui. Mas deveria eu estar lá? Longe de um caminho impiedoso e falsificador com injustiça quase dolor?
É engraçado escrever, até hoje nunca aprendi de verdade. Mas se há realmente um lugar onde podemos nos encontrar, é dentro de nós. Hoje sou uma alma inacabada, rasgada, pendurada. Amanhã posso ser um gladiador terrível, pronto pra desdobrar joelhos, e alcançar tudo que eu quis. Mas antes de lutar, é melhor dormir, descansar e acordar com vontade de dormir. Não vai ser meu corpo cansado, minha alma batida que vai ganhar alguma coisa essa noite. Porque essa noite, talvez, já perdi tantas batalhas, por tanto perder você.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sinfonia



Será que o valor realmente é válido quando temos exatamente a valorização desmerecida? Porque o que nos faz seres humanos não são nossos valores, e sim nossas origens. Queria entender mais de nós, saber quem nós somos e pra que viemos até hoje, porque as coisas estão da forma que estão. Talvez vá mais além da ciência e religião.
O mundo irá mesmo acabar um dia? Porque acreditaríamos nisso, sendo que desde anos atrás, há gente falando que o mundo tem que acabar? Porque as pessoas simplesmente não param de tentar dar um sentido superior a vida delas, imaginando catástrofes e etc com o próprio mundo. Seria uma boa forma de viver: viver para a vida.
As vezes a gente enxerga que os nossos meios são meios mais valorosos pra nós mesmos. Tem até uma certa ironia nisto. Você pode até dizer "ah não, isso é muito óbvio", mas não é. Quantas pessoas percorrem caminhos e caminhos, direcionados e induzidos pelos outros? Quando a gente entende que o nosso mundo só depende de nós, a gente começa a perceber que as coisas vão muito mais além do que o alcançável.
Um exemplo básico é, um sujeito jamais poderá obter tudo a benefício supremo cem por cento. Por outro lado, o negativismo atinge completamente se o indivíduo não tomar conta de si próprio.
Empenharemo-nos à abastança, para que nós viremo-nos gente de qualidade num mundo desqualificadamente qualificado. Quem somos nós? Pra onde deveremos ir?
É engraçado, tem gente que cria seus próprios inimigos "imaginários" pra tentar dar uma razão a sua vida. Será que você é realmente dependente disto?
Ser mais um ser, para sempre ter o que tiver de ter.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Esquivar de ser quem não se pode achar



Era tão estranho, sonhar um sonho verdadeiro, aberto de verdades em meio a realidade paralela onde me abrigara de você. Era tão comum, pensar em ver-te longe, enquanto não poderia achar que poderei voltar a rever o teu olhar junto ao meu.
Quem sabe um dia, talvez um cara feliz, alguém legal, talvez leal, de 20 anos, ser tentar ser o tal, possa ser melhor pra ti. Não sei bem se sou capaz, mas a vida me surpreende a cada instante. Foi assim que ela te tirou de mim, e me tirou de dentro de ti.
A triste incompreensão que vem do lado teu, provoca em mim, mais do que remorso. Provoca fúria ao lembrar teu nome. Te via tão longe, hoje te sinto mais aqui do que aí. Eu tenho medo de tentar resplandecer mais uma vez tudo que há aqui em mim, ou o que já foi-se embora um dia. Não sei se vossos olhos não transparecem mais amor, e nem se sua fala é rija como fora comigo, enquanto estive próximo ao teu ombro, porém sei que quem fora embora um dia, cansou-se de acreditar e resolveu desistir de algo que era real, puramente brutal, e fenomenal.
Há quem acreditara que seria pra sempre. Há quem via, que era morte, de um dia. Há quem pensasse que aquilo que talvez chamasse-se de amor, fosse apenas lorota. E também há gente como eu que acreditou que o nós nunca fosse voltar a ser o "eu e você".
Agora já tarde está, e não dá pra esfriar a memória. Ela dilata-se ao lembrar de seu sorriso. Era tão simples antes, entender-te, e agora, quem és tu para mim? Onde fora que perdi-te dentro de mim, oh guria?
Não sei bem, se há alguma coisa ainda viva, talvez tenha, mas vamos optar pela incerteza dos primórdios. Quero apenas que saiba, que já são quase 6 da manhã, e nem agora, e nem nunca, tem como esquecer uma fruta tão doce quanto teu ser. Não tem como esquivar-se de lembrar de suas memórias e lembranças.
Agora como despedir-me-ei sem saber dizer adeus? Eu tomei um copo de saudade, um dia, para você nesta data percorrida dizer-me que já não sabe o que quer, e já não quer mais saber. Eu fui-me embora.
Há quem acredite em milagres. Há quem se oponha ao mau. Há quem queira ser feliz, e eu aqui, só querendo viver, sem dor, e sem você.