terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pregos



O que mais posso ter além de mim mesmo? Que mais posso ser além de quem sou? Quem mais pode ser meu além de eu mesmo? O que mais posso ter além do que eu sou?
É frio, é triste, manifestador esse sentimento. Amargura, solidão, frieza, quebra coração. Pra onde irei me refugiar se nem paz há no meu lar? Pra onde hei de ir, se já nem sei com quem eu estou e quem poderei eu de contar.
É triste, é vazio, é supérfluo, sem tranquilidade, sem atenção, sem alguém pra estender a mão. Rimar pareceu tão fácil, tão afetuoso, tão majestoso, quando nada se há pra se apoiar. Escrever textos é uma saída? Talvez hei eu de me achar.
Eu não sei se sou capaz de aguentar por muito tempo, os olhos já se incharam e nem há mais alegria no olhar. Falamos aqui tanto do passado e futuro, mas que presente ruim é este que estou a ter!
Longanimidade é precaução de um ser com intuito de ser quem passou a não ser para ser alguém que restou ser.
Umas brincadeiras com as palavras pode até acabar bem. As frases se completam quando a gente olha e percebe que o rascunho tem mais valor do que o projeto concluído.
Quem somos nós afinal de contas? Quem você pode ser pra você? Eu acho engraçado como hipocrisia reina até num reino por fora de hipócritas. Pessoas que são e aqueles que não são. Não há força nem presunção num lugar hoje não há felicidade e respeito.
Atear fogo hoje é mais cortar os pulsos. Faz mais sentido.
Onde é que eu deveria estar? Perdido sem poder me achar, talvez eu esteja assim, esteja aqui. Mas deveria eu estar lá? Longe de um caminho impiedoso e falsificador com injustiça quase dolor?
É engraçado escrever, até hoje nunca aprendi de verdade. Mas se há realmente um lugar onde podemos nos encontrar, é dentro de nós. Hoje sou uma alma inacabada, rasgada, pendurada. Amanhã posso ser um gladiador terrível, pronto pra desdobrar joelhos, e alcançar tudo que eu quis. Mas antes de lutar, é melhor dormir, descansar e acordar com vontade de dormir. Não vai ser meu corpo cansado, minha alma batida que vai ganhar alguma coisa essa noite. Porque essa noite, talvez, já perdi tantas batalhas, por tanto perder você.

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