segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Identidade.



Nos amávamos com certeza, não do jeito mais formal, ou do "jeito certo", mas do nosso jeitinho. Eu não era o namorado ideal, ela não era igual as outras garotas. Eu nunca soube caminhar de mãos dadas com ela, nem abraçado nem nada disso, eu sempre que estava com ela na rua, chutava as pedras para irritá-la. Não era porque não gostava de abraços, ao contrário, acho muito peculiar o abraço, porém não era por vergonha também, mas só por não saber andar de mãos dadas ou preso junto a ela. Eu andava brincando com ela, porque sentia que além de tudo, ela era mais que uma simples namorada, ela era minha melhor amiga. Não saíamos muito, éramos mais caseiros sim, eu menos que ela, de fato na época, por causa de minhas responsabilidades, mas ficar em casa sem fazer nada não é tão ruim quanto parece. As vezes melhor do que parece.
Não era pelo fato de ficar em casa em si, mas só porque eu precisava sentir aquela vibração do peito dela, precisava sentir o pulso dela em minha perna, precisava pedir pra ela buscar algo pra mim tomar, várias vezes água, nunca fui muito fã de Coca-Cola mesmo.
Eu não critico o passado, ao contrário, foi a melhor fase da minha vida. Quem dera todos nós seres humanos ter meses como estes, pra mim perfeitos.
Eu no fundo sabia que o tempo estaria acabando, ela também, mas nem por isso nos deixamos levar. Andávamos ainda assim, ao invés de mãos dadas, a brincar.

      "não quero observar nada do que já é explícito".

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